Poeta

Eu escrevo,
eu sinto,
mas não sei o que você sente.

Desperto, em mim, os sentimentos
que, em mim, uma vez
floresceram.

Eu ouvi meu coração quebrar
uma vez
e faço das páginas as partituras de tal música.

Não ouvi seu coração quebrar,
na verdade, nem sei se ele foi quebrado.
Tudo que sei sobre você são suposições.

Eu suponho o que você sente. (ou sentiu)
Eu suponho o que você vê. (ou viu)
Eu suponho que seu coração foi quebrado.
E que você o ouviu.

Aqui, eu transcrevo o quebrar de milhares
de corações
para que você se sinta confortável em saber
que não foi o único a ouvi-lo gritar.

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Rosa – Humberto Vieira

Ela estava manuseando uma tesoura de poda. Não usava luvas nem aquele chapéu para evitar que os raios do sol acertassem sua pele. Ela era louca, olhava direto para o sol e ainda dizia gostar da dor que isso lhe causava.

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Vermelho

– É uma menina! Uma menina! – gritou o pai, que estava próximo à banheira, onde a mãe, exausta, erguia os braços trêmulos em direção à recém-nascida. Fora um parto humanizado, dentro da casa de Tiago e Larissa, com tudo o que Larissa poderia desejar: afinal, eram ricos. Larissa continuou com os braços em à doula, mas Tiago tirou a menina de seus braços antes da mulher cogitar em a entregar para Larissa.

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Solidão

Sozinha encontro-me novamente
deixada na solidão por sôfregas mãos,
mãos que não resistem a minha bruta delicadeza.

Sozinha aqui, vejo como sou substituível
como as mãos, aquelas mãos
estão corretas em, de lado, me deixar.

Sozinha, afogo-me em lágrimas e pensamentos,
banho-me com o sangue do meu coração
quebrado pelo abandono.

Sozinha, porém, encontro-me com meu verdadeiro eu
Delicio-me com minha delicadeza
reconheço-me em cada polegada de mim.

Sozinha, as sôfregas mãos me usam,
mas não estaria eu usando-as também?